sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Fernando Duso (PT) é o presidente do Legislativo em Foz

O vereador petista Fernando Duso é o novo presidente da Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu. Em seu primeiro mandato como vereador, Duso foi eleito para comandar o legislativo municipal até 2016.

Com única chapa inscrita, o resultado não surpreendeu o plenário que acompanhou a votação, na última terça-feira (16).  A chapa recebeu o voto de 14 vereadores. O único voto contrário foi do vereador Dilto Vitorassi.

Durante o mandato de presidente, Duso terá Beni Rodrigues (PSB), como 1° vice-presidente; Darci DRM (PTN), 2° vice-presidente; Rudinei de Moura (PRÓS), 1° secretário e Marino Garcia (SD), como 2° secretário.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Balé da Vila C tem visita ilustre

                                  
      
As meninas do balé do Conselho Comunitário da Vila C (CCVC) arrancaram aplausos de uma das maiores atletas brasileiras: a ex-ginasta olímpica Daiane dos Santos. A apresentação ocorreu nesta quinta-feira (4), durante a visita da atleta à Escola Padre Luigi Salvucci, na Vila C.
    
“Fiquei encantada com a apresentação das meninas. Essas garotinhas têm muita graça”, disse Daiane. Para ela, este trabalho deveria ser replicado em todas as escolas do Brasil.
     
Nos últimos dois anos, cerca de 750 crianças participaram das aulas do balé oferecidas pelo CCVC, com o apoio do Programa Energia Solidária, da Itaipu Binacional.
    
     
A visita da ginasta faz parte do projeto Educa, de Furnas, na qual Daiane é madrinha. “As crianças querem tirar fotos comigo, mas, na verdade, eu é que quero estar perto delas”, afirmou.
     
E completou: “Visitamos escolas em Brasília, Goiânia e Cuiabá, mas em nenhuma delas vimos um nível tão alto de ensino e organização como aqui”.
    
A visita da atleta animou as jovens dançarinas. “Foi muito bom conhecer a Daiane. Acho que quero ser ginasta”, revelou a pequena Beatriz de 11 anos.
    
Daiane: "Nenhuma escola tem um nível tão alto de ensino e organização como aqui”.
     
Objetivos
    
O projeto Educa é uma forma de conscientizar os estudantes sobre os perigos das queimadas e os cuidados que devem ser tomados com a energia elétrica. “Gostamos de conversar com as crianças, pois elas chegam em casa e contam o que aprenderam para a família toda. São nossos multiplicadores”, concluiu Daiane.

Fonte: JIE

Samek recebe recordista nacional de lançamento de martelo

                                  
O jovem Jair Pacentchuck Junior com o certificado de recordista brasileiro de lançamento de martelo.
    
Desde que ingressou no Projeto Jovens Atletas – Campeões do Futuro, há cinco anos, a vida de Jair Pacentchuck Junior, de 17 anos, mudou radicalmente. De menino obeso, ele tornou-se recordista brasileiro no lançamento do martelo.
    
Nesta quinta-feira (4), Jair e o coordenador do projeto, Sérgio Muniz dos Santos (o “Quick”), agradeceram pessoalmente ao diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, pelo apoio do Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente (PPCA), da binacional, na formação de atletas.
     
Segundo Sérgio, o projeto foi lançado há 5 anos, mas somente nos dois últimos, quando a Itaipu passou a oferecer os equipamentos para treino, suplemento alimentar e patrocinar as viagens, os saldos positivos foram alcançados.
     
Jorge Samek recebe representantes do Jovens Atletas: ajuda na formação de novos talentos.
    
“Antes da Itaipu, sonhávamos em participar de campeonatos regionais. Hoje, não apenas participamos, mas ganhamos medalhas nas competições internacionais”, agradeceu.
     
“Nós é que agradecemos por poder participar do crescimento de jovens tão determinados e esforçados. Acredito que daqui a uns anos veremos nossos meninos cantando o hino nacional no lugar mais alto do pódio, nas olimpíadas”, disse Samek.
     
O assistente do DGB, Joel de Lima, lembrou que Brasil e o Paraguai estão trabalhando para preparar os atletas brasileiros e paraguaios que participarão dos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.
    
Joel de Lima, o recordista Jair Pacentchuck, Jorge Samek e o coordenador Sérgio dos Santos.
     
Modelo
    
O maior exemplo do Jovens Atletas é o próprio Jair, que conquistou a medalha de prata no Campeonato Sul-Americano de Atletismo, no final de novembro, em Cali, na Colômbia. Ele lançou o martelo (de 5 quilos) a 68,03 metros, menos de um metro de diferença do primeiro colocado.
       
Com essa marca, Jair se mantém como o primeiro do ranking brasileiro no lançamento do martelo, na categoria juvenil. “Este ano quebrei meu próprio recorde três vezes”, contou. Ele começou o ano lançando 58,92 metros e chega em dezembro com um avanço de 10 metros.
        
Para 2015, a meta do adolescente é participar do Campeonato Pan-americano, no Canadá. “Até maio preciso estar lançando um martelo de 6 quilos a 66 metros. Não será fácil, mas vou treinar muito.”
       
Mudança
     
Todo esse empenho de Jair é resultado de uma mudança na vida pessoal que o atletismo proporcionou. Quando ingressou no projeto, era um garoto obeso e sem amizades. Hoje, é reconhecido pelos amigos como um grande atleta e modelo para os outros 120 jovens que participam do projeto. “Eu sofria bullying porque era gordo. Meu corpo mudou, estou mais maduro e feliz”, contou.
      
Outro aspecto positivo na vida do jovem é o financeiro. Graças aos resultados positivos nos campeonatos, Jair recebe bolsa de três instituições que, juntas, somam R$ 1.800,00 por mês. No próximo ano, a receita subirá para R$ 2.700,00. “Participar deste projeto só me traz coisas boas. Já conheci lugares que jamais pensei.”
        
O projeto
      
O projeto Jovens Atletas – Campeões do Futuro treina diariamente 120 adolescentes nas 27 modalidades de atletismo no Ginásio Costa Cavalcanti. Desde o lançamento do projeto, mais de 700 crianças carentes já treinaram no Ginásio.

Fonte: JIE

Plugados! apresentam talentos na Mostra da Cidadania

          
Galerinha cheia de talento. Fotos: Marcos Labanca.
      
Integrantes do projeto Plugado – Canais Ligados na Cultura!, mantido através da parceria entre a Itaipu Binacional e a Casa do Teatro, com o apoio institucional do Núcleo Regional de Educação (NRE), participaram da décima edição da Mostra da Cidadania da associação Casa do Teatro, realizada no Teatro Barracão, de domingo (30) até quarta-feira (3). Mais de 300 jovens artistas encantaram o público com muita música, dança e teatro. 
     

Apresentação teve de street dance...
 
     
O evento, realizado anualmente desde 2004, encerrou as atividades da associação com shows gratuitos e abertos à comunidade. Os agentes culturais do Plugado! Apresentaram peças de teatro, shows de música e dança, e a Cia. Artística Plugado! animou o público com um número de street dance. 

      

... a balé clássico.
     
“É um caminho cheio de conquistas e realizações. Com os trabalhos promovidos ao longo desses dez anos, estamos vendo surgir seres humanos melhores, mais preparados para a vida, capazes de somar e compartilhar sonhos e esperanças – pessoas educadas para a tolerância e o respeito”, diz Rosangela Rocha, coordenadora da Casa do Teatro. 

       

Todos puderam mostrar seus talentos.
      
Para celebrar a caminhada de uma década, foram convidadas a integrar a agenda artística diversas outras companhias de artes da cidade: Ponto de Cultura Dança que Encanta, mantido pelo Provopar; Estúdio de Dança Pamela Gill; SDS Cia. de Teatro; Ponto de Cultura Foz Encena e Trupe Luz da Lua.

      

O público aprovou.
     
A dona de casa Elza Medeiros ficou orgulhosa ao ver a apresentação de dança de sua filha, que subiu ao palco pela primeira vez este ano. “É gratificante saber que essas crianças estão vivendo coisas boas, saudáveis. Quando os nossos filhos estão no palco, parece que entram num mundo só deles, onde eles são as estrelas”, disse.
 
Fonte: JIE

Rede Proteger define ações para 2015

O ano de 2015 será agitado para as 40 instituições que integram a Rede Proteger. Na última reunião de 2014, realizada no dia 28 de novembro, ficou definido o calendário com mais de 30 ações nas mais diversas áreas. A primeira será no Carnaval, visando combater a exploração e o abuso de crianças e adolescentes durante a maior festa brasileira, e terá apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
      
Equipe reunida no final de novembro.
     
Segundo Maria Emília Medeiros de Souza, da equipe do Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente (PPCA), da Itaipu, que faz parte da Rede Proteger, ações de defesa ao direito da infância ocorrem durante todo o ano, mas em períodos de festa são reforçadas. “Queremos chamar a atenção para o problema e estimular as denúncias”, disse.
      
Na campanha do Carnaval, haverá spots nas rádios, cartazes, e os foliões receberão material informativo alertando para a necessidade de prevenir e denunciar. Além da violência sexual, a proposta da Rede Proteger é a alertar para outros tipos de violência, como o trabalho infantil.
     
Outra atividade já com data marcada será na semana do 18 de Maio – Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Em outubro, no mês das crianças, as instituições também se unirão para fazer um trabalho de conscientização dos direitos da infância.
     
Balanço
     
Durante a reunião, os integrantes da Rede também fizeram uma avaliação de 2014. De acordo com Maria Emília, uma das grandes conquistas foi o reconhecimento da Rede Proteger e do PPCA como um dos 12 exemplos brasileiros de boas práticas de promoção e defesa dos direitos humanos. A honraria foi concedida pela Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). 

       

Site da rede, uma das novidades de 2014. 
         

 Outra grande conquista, no entendimento de Marcio Bortolini (AS.GB), foi o site da Rede, que serve para divulgar as campanhas de proteção ao direito da infância, integrar as instituições que fazem parte do colegiado e incentivar a denúncia. O endereço é www.redeproteger.com.br. “O site era um pedido antigo das instituições para apresentar suas atividades e, ao mesmo tempo, contar com um pouco da história da Rede”.
       
Outros destaques foram o lançamento da Campanha Trinacional de Combate à Violência Infantojuvenil, que tem como madrinha a apresentadora Xuxa Meneghel, além de eventos como a Conferência de Aprendizagem, que reuniu mais de 900 pessoas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Brasil e Paraguai anunciam acordo para revelar novos talentos no esporte

                                 
Encontro na sala de reuniões do Edifício de Produção, na Itaipu: apoio ao esporte.
  
Os ministros de Esportes do Brasil, Aldo Rebelo, e do Paraguai, Victor Pecci, anunciaram, nesta terça-feira (25), na usina hidrelétrica de Itaipu, em Foz do Iguaçu (PR), um conjunto de medidas para desenvolver atletas de alto rendimento e melhorar a participação dos dois países nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.
     
O anúncio ocorre após dois dias de reuniões técnicas envolvendo representantes de confederações brasileiras e paraguaias em seis modalidades esportivas: tênis, natação, handebol, vôlei de praia, remo e canoagem.
     
Participaram da cerimônia o diretor-geral brasileiro da Itaipu, Jorge Samek, diretores de ambas as margens da binacional, dirigentes esportivos, representantes de confederações e atletas.
   
Aldo Rebelo e Victor Pecci com os atletas Pedro Henrique Gonçalves, o Pepê, e Ana Sátila.
    
De acordo com os ministros, a cooperação vai ocorrer em três níveis: projetos conjuntos desenvolvidos entre as próprias confederações esportivas; capacitação na área de medicina esportiva, com apoio da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); e incentivo a publicações que valorizem o esporte e a integração.
    
Uma das propostas é possibilitar, por exemplo, que atletas paraguaios participem de competições esportivas no Brasil – e vice-versa. Estão previstos ainda apoio na aquisição de material e equipamentos e troca de experiência entre treinadores de ambos os países.
     
Também foi discutida a publicação de duas obras, que serão traduzidas e distribuídas nos dois países – um livro de crônicas de Gylberto Freire, de 1942, com relato de uma viagem a Assunção, e uma obra do jesuíta espanhol Bartolomeu Melià, antropólogo radicado no Paraguai e especialista na língua e na cultura dos povos guaranis.
     
    
“Espero que Itaipu consiga nos inspirar nesta cooperação com a mesma ousadia e a mesma determinação que colocaram de pé esse grande empreendimento vitorioso”, afirmou Rebelo.
      
Victor Pecci destacou que o Brasil já tem uma infraestrutura desenvolvida em diversas modalidades esportivas e conta com um grande rol de treinadores, que poderão ajudar na capacitação dos paraguaios.
     
“Para nós, essa parceria é muito importante. Necessitamos dessa experiência do Brasil para desenvolver o esporte no nosso país”, comentou o ministro, que foi tenista profissional, disputou uma final de Roland Garros (França), em 1979, e chegou a ser o nono no ranking da Associação de Tenistas Profissionais (ATP).
    
A canoísta Ana Paula Fernandes, entre os ministros do Brasil e do Paraguai: jovem talento.
     
Jorge Samek lembrou que a própria Itaipu, que em 2014 completou 40 anos, é resultado de um amplo esforço de integração. “Este prédio foi construído na fronteira entre os dois países. Várias questões importantes foram decididas nesta mesa. E tenho certeza de que será assim também com o esporte”, afirmou.
     
O diretor-geral também agradeceu o apoio do Ministério dos Esportes brasileiro para ajudar a cidade a desenvolver modalidades esportivas importantes, como a canoagem – a seleção brasileira treina no Canal Itaipu, dentro do complexo hidrelétrico, com o apoio da binacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
      
Itaipu também desenvolve no Canal Itaipu o projeto Meninos do Lago, que já revelou promessas como a jovem Ana Paula Fernandes, que tem dupla cidadania e hoje compete pelo Paraguai. Ana Paula participou da reunião e foi citada como exemplo do sucesso do programa da binacional.
    
Ministro Aldo Rebelo planta uma muda de pitanga no Centro de Recepção de Visitantes.
    
Outro projeto desenvolvido com apoio do Ministério dos Esportes é a construção do Centro de Treinamento de Futebol Feminino em Foz do Iguaçu.
     
Antes da reunião, os ministros assistiram ao vídeo institucional da Itaipu e plantaram duas árvores no Centro de Recepção de Visitantes (CRV). Depois, visitaram o Canal Itaipu, onde se encontraram com canoístas, como a atleta olímpica Ana Satíla e Pedro Henrique Gonçalves, o Pepê. Os ministros também conheceram o Parque Tecnológico Itaipu (PTI).

Fonte: JIE

Em congresso apoiado pela Itaipu, Apaes comemoram e lutam por mais direitos

                                           

Auditório lotado para o congresso, no Centro de Convenções de Foz do Iguaçu
  
O 25º Congresso Nacional das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes) e o 44º Congresso Estadual das Apaes do Paraná realizado no Centro de Convenções de Foz do Iguaçu, reuniu  uma plateia de mais de 3 mil pessoas. Entre elas, alunos, professores e profissionais que atuam nas escolas.
   
A Itaipu Binacional, uma das apoiadoras do encontro, foi representada pelo assistente do diretor-geral brasileiro, Joel de Lima. O evento contou também com a presença do vice-governador do Paraná, Flávio Arns, e do prefeito de Foz do Iguaçu, Reni Pereira.
     
Segundo Lima, as Apaes, que completam 60 anos, servem de modelo para a formalização de políticas públicas. Um exemplo foi o debate das Apaes por mudanças do Plano Nacional de Educação (PNE), em 2013. O documento dizia que as pessoas com deficiência deveriam estudar na escola regular. “As entidades se uniram e pediram mudanças. Hoje, o aluno com deficiência pode escolher entre estudar numa escola regular ou especial”, disse. “A inclusão é importante, mas é necessário respeitar as diferenças.”
    


Joel de Lima (primeiro à esquerda) e Aracy Ledo, durante o encontro, que teve o apoio da Itaipu.

 Segundo a presidente da Federação das Apaes, Aracy Maria da Silva Ledo, o momento é de comemorar as conquistas das pessoas com deficiência nos últimos 60 anos, mas também de debater e pedir a colaboração de todos os “apaianos” em novas lutas. Uma delas é o aumento do benefício pago às pessoas com deficiência. Hoje, cada domicílio com pessoas portadoras de deficiências mental recebe um quarto do salário mínimo. “Nossa meta é que cada cidadão com deficiência receba um salário, mas já ficamos contentes se conseguirmos ampliar para meio salário”, disse.
    
Outra luta da Apae é o aumento do valor repassado pelo Ministério da Saúde aos serviços oferecidos nas escolas.
     
O congresso busca também o alinhamento entre as 2.142 Apaes em todo o Brasil e a capacitação dos profissionais. “Tivemos grandes avanços, mas ainda precisamos de mais. Lutaremos sempre por mais inclusão e respeito à cidadania”, finalizou Aracy.


Fonte: JIE

terça-feira, 21 de outubro de 2014

“Neoliberalismo é o oposto da democracia”, diz estudioso francês


Dominique Plihon, professor da Universidade Paris 13, em entrevista exclusiva ao Brasil Debate: “Se um candidato neoliberal ganha no Brasil, certamente ficarei triste pelos brasileiros, mas também triste pela ordem internacional. Precisamos de líderes que saibam resistir às grandes potências, ao setor financeiro, e não que sejam seus aliados”
 dominique

O francês Dominique Plihon é um dos principais estudiosos, no mundo, do que se denomina “capitalismo com dominância financeira” e de seus efeitos sobre a sociedade.

Professor emérito da Universidade Paris 13 (Université Sorbonne Paris Cité), ele tem longa experiência profissional no Banque de France e é atualmente porta-voz do ATTAC – associação que defende a taxação das transações financeiras internacionais.

Na semana passada, esteve no Brasil para uma curta temporada de palestras e aulas no Instituto de Economia da Unicamp, e conversou com o Brasil Debate.

As reflexões de Plihon sobre as ideias econômicas, seus porta-vozes e interesses, e mesmo o seu poder de pressão por meio do controle dos veículos de comunicação são um necessário contraponto à visão quase única que domina a discussão econômica no Brasil.

Indo além, põe o dedo na ferida de uma questão muito explícita em alguns personagens do debate eleitoral brasileiro: o conflito de interesses entre representantes do setor financeiro privado e suas prioridades para as políticas públicas.

Por fim, considera um enorme retrocesso, não só para o Brasil, a eleição de um candidato de perfil neoliberal neste segundo turno das eleições.

Confira os principais trechos da entrevista realizada e traduzida do francês por Bruno De Conti e Pedro Rossi.

Brasil Debate: Como você enxerga a relação do neoliberalismo com a democracia?
Dominique Plihon: Aqui há um paradoxo. Os neoliberais nos fazem acreditar que a liberdade concedida a todos os atores econômicos faz prosperar a democracia e que o mercado é favorável à democracia. Como se democracia e livre mercado caminhassem juntos.
Essa visão é completamente equivocada. Se deixamos o neoliberalismo funcionar, isso se traduz no surgimento de atores sociais – grupos industriais, bancários – que dominam não somente a economia, mas também a sociedade. Esses atores investem na mídia para difundir análises que condicionam a opinião dos cidadãos e isso funciona como uma forma de dominação ideológica. Aqueles que divergem do pensamento dominante são considerados heréticos, arcaicos, gente que não é séria.
Portanto, o paradoxo é que, ao reduzir o Estado sob o pretexto de dar mais liberdade às pessoas, dá-se poder a alguns atores sociais, concentra-se a renda e cria-se um pensamento único. Eu vou ao limite de dizer que aqueles que defendem o neoliberalismo são por uma sociedade totalitária. Neoliberalismo é o oposto da democracia.

BD: O discurso neoliberal é compatível com a construção de um Estado de Bem-Estar Social, que garanta serviços sociais públicos e universais?
DP: Para o neoliberalismo, o Estado Social é visto como um inimigo, como um concorrente, o que é de certa forma verdade porque, a partir do momento em que o Estado Social se desenvolve, é uma parte do setor econômico que escapa do setor privado, dos investidores internacionais etc.  Eles querem controlar as escolas, controlar os hospitais, controlar as estradas, para obter lucros. É por isso que eles defendem a privatização, sob o pretexto de que o setor privado seria mais eficiente, mas a finalidade é o lucro.

O que devemos defender, enquanto economistas progressistas, é que o setor público é claramente mais eficaz do que o setor privado no que se refere à oferta de bens sociais, ao contrário do que dizem os neoliberais. Essa é uma briga ideológica importante. Eles dizem que se o Estado Social diminuir, todos vão ganhar, vão pagar menos imposto, a economia ficará melhor, os hospitais, as escolas e universidades serão melhores, o que é completamente falso.

Se pegarmos a saúde, por exemplo, o sistema mais eficaz, menos custoso e que traz mais bem-estar para população é o público e não o privado. O sistema de saúde americano, que é praticamente todo privado, é muito mais custoso do que o francês, que é principalmente público. Mas esse discurso não é ouvido pela mídia controlada pelos grandes grupos privados.

BD: Nessas eleições brasileiras, formou-se uma convenção na bolsa de valores segundo a qual o bom desempenho da presidenta Dilma nas pesquisas conduz a uma queda nos preços das ações. Como você vê o significado político dessa convenção?
DP: Keynes é quem primeiro explorou essa noção de convenção no mercado financeiro. A convenção é uma representação da realidade que corresponde muitas vezes aos desejos do mercado. Quando vemos nas eleições que a bolsa sobe quando o candidato Aécio Neves aparece com mais chances, isso significa a expectativa do mercado de que esse candidato tomará medidas mais favoráveis a ele.
O que é perigoso, pois significa que um candidato que queira fazer uma política de enfrentamento aos interesses e privilégios do mercado terá a bolsa contra ele. E isso toma uma proporção maior porque a mídia e as elites passam a mensagem de que a opinião “correta” é aquela do mercado e não aquela das pessoas que trabalham, que produzem, que consomem. Isso é, evidentemente, contrário à democracia.

E o que é interessante é que Keynes mostrou a existência de componentes irracionais na formação dessas convenções. As pessoas se comportam de maneira mimética; de uma hora para a outra passam a agir todas da mesma forma, com base em uma determinada ideia. Essas convenções são frágeis, às vezes irracionais e desprovidas de uma reflexão séria e, mais do que isso, podem ser manipuladas, o que quer dizer que alguns agentes podem forjar opiniões e condicionar a psicologia dos mercados para fazer valer seus interesses.

BD: Nos debates públicos, você tem chamado atenção para o conflito de interesses que envolve a profissão dos economistas. Qual é a importância desse tema?
DP: Na sociedade, há dois tipos de economistas. A primeira categoria é composta por economistas independentes ou com vínculos explícitos com alguma instituição, como um sindicato, ou um banco. Quando ouvimos um economista de um sindicato, sabemos que ele está defendendo os interesses do sindicato, isso é normal e transparente.

A segunda categoria são os economistas que são pagos pelo sistema – recebem recursos de empresas, bancos, partidos – mas não se identificam. Eles geralmente defendem os interesses das classes dominantes e por isso são figuras muito presentes na mídia, dominada por essas classes. Eles são os cães de guarda do sistema.
O que estamos propondo na Europa é algo parecido com que está sendo discutido nos EUA por Gerard Epstein: que haja regras precisas obrigando os economistas a publicarem o nome da entidade de quem recebem financiamentos, assim, quando eles falam na mídia, saberemos se estão defendendo o interesse de alguma empresa, banco, sindicato. Cada um fala o que quer, desde que seja transparente e não seja hipócrita.

BD: E no caso de economistas de mercado que ocupam funções públicas?
DP: Se há um candidato, como Aécio Neves, que anuncia um ministro que é um banqueiro, há um risco de conflito de interesse. Nesse caso, talvez seja o caso de declarar publicamente e, eventualmente, desnudar esta pessoa e os interesses que representa, já que tem muitos laços com o setor financeiro.

Na França, temos esse problema com os altos funcionários, por exemplo, da supervisão bancária, que após seu período no governo vão trabalhar nos bancos. O problema é que essas pessoas não ousam tomar medidas duras, sanções, contra os seus futuros (ou ex) colegas. Nesse caso, deve-se proibir a pessoa de trabalhar no setor que ela supervisionou durante três ou quatro anos, porque há conflitos de interesse.
Esse é o chamado fenômeno das “portas giratórias”, quando um economista vai para a administração publica, depois volta para o setor privado como um homem de negócio, e de novo para administração pública. Isso é muito perverso e antidemocrático.

BD: Como intelectual de esquerda e observador externo como você enxerga a disputa eleitoral em curso no Brasil?
DP: Primeiramente, vejo com bastante interesse porque o Brasil é um país muito importante, e a política que é definida aqui tem impacto sobre a América Latina e também sobre a construção da ordem mundial. Penso que os dirigentes europeus atuais são uma catástrofe para a ordem econômica mundial. Eles são fascinados pela ideologia neoliberal, pela competição, e não pela cooperação, pela solidariedade entre os países etc. Eles têm valores que certamente não são os meus, e que são extremamente perigosos.
Se um candidato neoliberal ganha no Brasil, certamente ficarei triste pelos brasileiros, mas também triste pela ordem internacional. Eu sei que a candidata progressista tem limites e problemas, mas penso que será melhor para o Brasil, pois ela já deu prova de independência frente aos Estados Unidos e frente a atores financeiros.
Precisamos de líderes que saibam resistir às grandes potências, ao setor financeiro, e não que sejam seus aliados. Portanto, vejo as eleições no Brasil com muito interesse e não escondo minha preferência por Dilma.

Crédito da foto da página inicial: Agência Brasil

“Neoliberalismo é o oposto da democracia”, diz estudioso francês

Dominique Plihon, professor da Universidade Paris 13, em entrevista exclusiva ao Brasil Debate: “Se um candidato neoliberal ganha no Brasil, certamente ficarei triste pelos brasileiros, mas também triste pela ordem internacional. Precisamos de líderes que saibam resistir às grandes potências, ao setor financeiro, e não que sejam seus aliados”

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O francês Dominique Plihon é um dos principais estudiosos, no mundo, do que se denomina “capitalismo com dominância financeira” e de seus efeitos sobre a sociedade.
Professor emérito da Universidade Paris 13 (Université Sorbonne Paris Cité), ele tem longa experiência profissional no Banque de France e é atualmente porta-voz do ATTAC – associação que defende a taxação das transações financeiras internacionais.
Na semana passada, esteve no Brasil para uma curta temporada de palestras e aulas no Instituto de Economia da Unicamp, e conversou com o Brasil Debate.
As reflexões de Plihon sobre as ideias econômicas, seus porta-vozes e interesses, e mesmo o seu poder de pressão por meio do controle dos veículos de comunicação são um necessário contraponto à visão quase única que domina a discussão econômica no Brasil.
Indo além, põe o dedo na ferida de uma questão muito explícita em alguns personagens do debate eleitoral brasileiro: o conflito de interesses entre representantes do setor financeiro privado e suas prioridades para as políticas públicas.
Por fim, considera um enorme retrocesso, não só para o Brasil, a eleição de um candidato de perfil neoliberal neste segundo turno das eleições.
Confira os principais trechos da entrevista realizada e traduzida do francês por Bruno De Conti e Pedro Rossi.
Brasil Debate: Como você enxerga a relação do neoliberalismo com a democracia?
Dominique Plihon: Aqui há um paradoxo. Os neoliberais nos fazem acreditar que a liberdade concedida a todos os atores econômicos faz prosperar a democracia e que o mercado é favorável à democracia. Como se democracia e livre mercado caminhassem juntos.
Essa visão é completamente equivocada. Se deixamos o neoliberalismo funcionar, isso se traduz no surgimento de atores sociais – grupos industriais, bancários – que dominam não somente a economia, mas também a sociedade. Esses atores investem na mídia para difundir análises que condicionam a opinião dos cidadãos e isso funciona como uma forma de dominação ideológica. Aqueles que divergem do pensamento dominante são considerados heréticos, arcaicos, gente que não é séria.
Portanto, o paradoxo é que, ao reduzir o Estado sob o pretexto de dar mais liberdade às pessoas, dá-se poder a alguns atores sociais, concentra-se a renda e cria-se um pensamento único. Eu vou ao limite de dizer que aqueles que defendem o neoliberalismo são por uma sociedade totalitária. Neoliberalismo é o oposto da democracia.
BD: O discurso neoliberal é compatível com a construção de um Estado de Bem-Estar Social, que garanta serviços sociais públicos e universais?
DP: Para o neoliberalismo, o Estado Social é visto como um inimigo, como um concorrente, o que é de certa forma verdade porque, a partir do momento em que o Estado Social se desenvolve, é uma parte do setor econômico que escapa do setor privado, dos investidores internacionais etc.  Eles querem controlar as escolas, controlar os hospitais, controlar as estradas, para obter lucros. É por isso que eles defendem a privatização, sob o pretexto de que o setor privado seria mais eficiente, mas a finalidade é o lucro.
O que devemos defender, enquanto economistas progressistas, é que o setor público é claramente mais eficaz do que o setor privado no que se refere à oferta de bens sociais, ao contrário do que dizem os neoliberais. Essa é uma briga ideológica importante. Eles dizem que se o Estado Social diminuir, todos vão ganhar, vão pagar menos imposto, a economia ficará melhor, os hospitais, as escolas e universidades serão melhores, o que é completamente falso.
Se pegarmos a saúde, por exemplo, o sistema mais eficaz, menos custoso e que traz mais bem-estar para população é o público e não o privado. O sistema de saúde americano, que é praticamente todo privado, é muito mais custoso do que o francês, que é principalmente público. Mas esse discurso não é ouvido pela mídia controlada pelos grandes grupos privados.
BD: Nessas eleições brasileiras, formou-se uma convenção na bolsa de valores segundo a qual o bom desempenho da presidenta Dilma nas pesquisas conduz a uma queda nos preços das ações. Como você vê o significado político dessa convenção?
DP: Keynes é quem primeiro explorou essa noção de convenção no mercado financeiro. A convenção é uma representação da realidade que corresponde muitas vezes aos desejos do mercado. Quando vemos nas eleições que a bolsa sobe quando o candidato Aécio Neves aparece com mais chances, isso significa a expectativa do mercado de que esse candidato tomará medidas mais favoráveis a ele.
O que é perigoso, pois significa que um candidato que queira fazer uma política de enfrentamento aos interesses e privilégios do mercado terá a bolsa contra ele. E isso toma uma proporção maior porque a mídia e as elites passam a mensagem de que a opinião “correta” é aquela do mercado e não aquela das pessoas que trabalham, que produzem, que consomem. Isso é, evidentemente, contrário à democracia.
E o que é interessante é que Keynes mostrou a existência de componentes irracionais na formação dessas convenções. As pessoas se comportam de maneira mimética; de uma hora para a outra passam a agir todas da mesma forma, com base em uma determinada ideia. Essas convenções são frágeis, às vezes irracionais e desprovidas de uma reflexão séria e, mais do que isso, podem ser manipuladas, o que quer dizer que alguns agentes podem forjar opiniões e condicionar a psicologia dos mercados para fazer valer seus interesses.
BD: Nos debates públicos, você tem chamado atenção para o conflito de interesses que envolve a profissão dos economistas. Qual é a importância desse tema?
DP: Na sociedade, há dois tipos de economistas. A primeira categoria é composta por economistas independentes ou com vínculos explícitos com alguma instituição, como um sindicato, ou um banco. Quando ouvimos um economista de um sindicato, sabemos que ele está defendendo os interesses do sindicato, isso é normal e transparente.
A segunda categoria são os economistas que são pagos pelo sistema – recebem recursos de empresas, bancos, partidos – mas não se identificam. Eles geralmente defendem os interesses das classes dominantes e por isso são figuras muito presentes na mídia, dominada por essas classes. Eles são os cães de guarda do sistema.
O que estamos propondo na Europa é algo parecido com que está sendo discutido nos EUA por Gerard Epstein: que haja regras precisas obrigando os economistas a publicarem o nome da entidade de quem recebem financiamentos, assim, quando eles falam na mídia, saberemos se estão defendendo o interesse de alguma empresa, banco, sindicato. Cada um fala o que quer, desde que seja transparente e não seja hipócrita.
BD: E no caso de economistas de mercado que ocupam funções públicas?
DP: Se há um candidato, como Aécio Neves, que anuncia um ministro que é um banqueiro, há um risco de conflito de interesse. Nesse caso, talvez seja o caso de declarar publicamente e, eventualmente, desnudar esta pessoa e os interesses que representa, já que tem muitos laços com o setor financeiro.
Na França, temos esse problema com os altos funcionários, por exemplo, da supervisão bancária, que após seu período no governo vão trabalhar nos bancos. O problema é que essas pessoas não ousam tomar medidas duras, sanções, contra os seus futuros (ou ex) colegas. Nesse caso, deve-se proibir a pessoa de trabalhar no setor que ela supervisionou durante três ou quatro anos, porque há conflitos de interesse.
Esse é o chamado fenômeno das “portas giratórias”, quando um economista vai para a administração publica, depois volta para o setor privado como um homem de negócio, e de novo para administração pública. Isso é muito perverso e antidemocrático.
BD: Como intelectual de esquerda e observador externo como você enxerga a disputa eleitoral em curso no Brasil?
DP: Primeiramente, vejo com bastante interesse porque o Brasil é um país muito importante, e a política que é definida aqui tem impacto sobre a América Latina e também sobre a construção da ordem mundial. Penso que os dirigentes europeus atuais são uma catástrofe para a ordem econômica mundial. Eles são fascinados pela ideologia neoliberal, pela competição, e não pela cooperação, pela solidariedade entre os países etc. Eles têm valores que certamente não são os meus, e que são extremamente perigosos.
Se um candidato neoliberal ganha no Brasil, certamente ficarei triste pelos brasileiros, mas também triste pela ordem internacional. Eu sei que a candidata progressista tem limites e problemas, mas penso que será melhor para o Brasil, pois ela já deu prova de independência frente aos Estados Unidos e frente a atores financeiros.
Precisamos de líderes que saibam resistir às grandes potências, ao setor financeiro, e não que sejam seus aliados. Portanto, vejo as eleições no Brasil com muito interesse e não escondo minha preferência por Dilma.
Crédito da foto da página inicial: Agência Brasil
- See more at: http://brasildebate.com.br/neoliberalismo-e-o-oposto-da-democracia/#sthash.rwL7vyQ6.dpuf

“Neoliberalismo é o oposto da democracia”, diz estudioso francês

Dominique Plihon, professor da Universidade Paris 13, em entrevista exclusiva ao Brasil Debate: “Se um candidato neoliberal ganha no Brasil, certamente ficarei triste pelos brasileiros, mas também triste pela ordem internacional. Precisamos de líderes que saibam resistir às grandes potências, ao setor financeiro, e não que sejam seus aliados”

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dominique
O francês Dominique Plihon é um dos principais estudiosos, no mundo, do que se denomina “capitalismo com dominância financeira” e de seus efeitos sobre a sociedade.
Professor emérito da Universidade Paris 13 (Université Sorbonne Paris Cité), ele tem longa experiência profissional no Banque de France e é atualmente porta-voz do ATTAC – associação que defende a taxação das transações financeiras internacionais.
Na semana passada, esteve no Brasil para uma curta temporada de palestras e aulas no Instituto de Economia da Unicamp, e conversou com o Brasil Debate.
As reflexões de Plihon sobre as ideias econômicas, seus porta-vozes e interesses, e mesmo o seu poder de pressão por meio do controle dos veículos de comunicação são um necessário contraponto à visão quase única que domina a discussão econômica no Brasil.
Indo além, põe o dedo na ferida de uma questão muito explícita em alguns personagens do debate eleitoral brasileiro: o conflito de interesses entre representantes do setor financeiro privado e suas prioridades para as políticas públicas.
Por fim, considera um enorme retrocesso, não só para o Brasil, a eleição de um candidato de perfil neoliberal neste segundo turno das eleições.
Confira os principais trechos da entrevista realizada e traduzida do francês por Bruno De Conti e Pedro Rossi.
Brasil Debate: Como você enxerga a relação do neoliberalismo com a democracia?
Dominique Plihon: Aqui há um paradoxo. Os neoliberais nos fazem acreditar que a liberdade concedida a todos os atores econômicos faz prosperar a democracia e que o mercado é favorável à democracia. Como se democracia e livre mercado caminhassem juntos.
Essa visão é completamente equivocada. Se deixamos o neoliberalismo funcionar, isso se traduz no surgimento de atores sociais – grupos industriais, bancários – que dominam não somente a economia, mas também a sociedade. Esses atores investem na mídia para difundir análises que condicionam a opinião dos cidadãos e isso funciona como uma forma de dominação ideológica. Aqueles que divergem do pensamento dominante são considerados heréticos, arcaicos, gente que não é séria.
Portanto, o paradoxo é que, ao reduzir o Estado sob o pretexto de dar mais liberdade às pessoas, dá-se poder a alguns atores sociais, concentra-se a renda e cria-se um pensamento único. Eu vou ao limite de dizer que aqueles que defendem o neoliberalismo são por uma sociedade totalitária. Neoliberalismo é o oposto da democracia.
BD: O discurso neoliberal é compatível com a construção de um Estado de Bem-Estar Social, que garanta serviços sociais públicos e universais?
DP: Para o neoliberalismo, o Estado Social é visto como um inimigo, como um concorrente, o que é de certa forma verdade porque, a partir do momento em que o Estado Social se desenvolve, é uma parte do setor econômico que escapa do setor privado, dos investidores internacionais etc.  Eles querem controlar as escolas, controlar os hospitais, controlar as estradas, para obter lucros. É por isso que eles defendem a privatização, sob o pretexto de que o setor privado seria mais eficiente, mas a finalidade é o lucro.
O que devemos defender, enquanto economistas progressistas, é que o setor público é claramente mais eficaz do que o setor privado no que se refere à oferta de bens sociais, ao contrário do que dizem os neoliberais. Essa é uma briga ideológica importante. Eles dizem que se o Estado Social diminuir, todos vão ganhar, vão pagar menos imposto, a economia ficará melhor, os hospitais, as escolas e universidades serão melhores, o que é completamente falso.
Se pegarmos a saúde, por exemplo, o sistema mais eficaz, menos custoso e que traz mais bem-estar para população é o público e não o privado. O sistema de saúde americano, que é praticamente todo privado, é muito mais custoso do que o francês, que é principalmente público. Mas esse discurso não é ouvido pela mídia controlada pelos grandes grupos privados.
BD: Nessas eleições brasileiras, formou-se uma convenção na bolsa de valores segundo a qual o bom desempenho da presidenta Dilma nas pesquisas conduz a uma queda nos preços das ações. Como você vê o significado político dessa convenção?
DP: Keynes é quem primeiro explorou essa noção de convenção no mercado financeiro. A convenção é uma representação da realidade que corresponde muitas vezes aos desejos do mercado. Quando vemos nas eleições que a bolsa sobe quando o candidato Aécio Neves aparece com mais chances, isso significa a expectativa do mercado de que esse candidato tomará medidas mais favoráveis a ele.
O que é perigoso, pois significa que um candidato que queira fazer uma política de enfrentamento aos interesses e privilégios do mercado terá a bolsa contra ele. E isso toma uma proporção maior porque a mídia e as elites passam a mensagem de que a opinião “correta” é aquela do mercado e não aquela das pessoas que trabalham, que produzem, que consomem. Isso é, evidentemente, contrário à democracia.
E o que é interessante é que Keynes mostrou a existência de componentes irracionais na formação dessas convenções. As pessoas se comportam de maneira mimética; de uma hora para a outra passam a agir todas da mesma forma, com base em uma determinada ideia. Essas convenções são frágeis, às vezes irracionais e desprovidas de uma reflexão séria e, mais do que isso, podem ser manipuladas, o que quer dizer que alguns agentes podem forjar opiniões e condicionar a psicologia dos mercados para fazer valer seus interesses.
BD: Nos debates públicos, você tem chamado atenção para o conflito de interesses que envolve a profissão dos economistas. Qual é a importância desse tema?
DP: Na sociedade, há dois tipos de economistas. A primeira categoria é composta por economistas independentes ou com vínculos explícitos com alguma instituição, como um sindicato, ou um banco. Quando ouvimos um economista de um sindicato, sabemos que ele está defendendo os interesses do sindicato, isso é normal e transparente.
A segunda categoria são os economistas que são pagos pelo sistema – recebem recursos de empresas, bancos, partidos – mas não se identificam. Eles geralmente defendem os interesses das classes dominantes e por isso são figuras muito presentes na mídia, dominada por essas classes. Eles são os cães de guarda do sistema.
O que estamos propondo na Europa é algo parecido com que está sendo discutido nos EUA por Gerard Epstein: que haja regras precisas obrigando os economistas a publicarem o nome da entidade de quem recebem financiamentos, assim, quando eles falam na mídia, saberemos se estão defendendo o interesse de alguma empresa, banco, sindicato. Cada um fala o que quer, desde que seja transparente e não seja hipócrita.
BD: E no caso de economistas de mercado que ocupam funções públicas?
DP: Se há um candidato, como Aécio Neves, que anuncia um ministro que é um banqueiro, há um risco de conflito de interesse. Nesse caso, talvez seja o caso de declarar publicamente e, eventualmente, desnudar esta pessoa e os interesses que representa, já que tem muitos laços com o setor financeiro.
Na França, temos esse problema com os altos funcionários, por exemplo, da supervisão bancária, que após seu período no governo vão trabalhar nos bancos. O problema é que essas pessoas não ousam tomar medidas duras, sanções, contra os seus futuros (ou ex) colegas. Nesse caso, deve-se proibir a pessoa de trabalhar no setor que ela supervisionou durante três ou quatro anos, porque há conflitos de interesse.
Esse é o chamado fenômeno das “portas giratórias”, quando um economista vai para a administração publica, depois volta para o setor privado como um homem de negócio, e de novo para administração pública. Isso é muito perverso e antidemocrático.
BD: Como intelectual de esquerda e observador externo como você enxerga a disputa eleitoral em curso no Brasil?
DP: Primeiramente, vejo com bastante interesse porque o Brasil é um país muito importante, e a política que é definida aqui tem impacto sobre a América Latina e também sobre a construção da ordem mundial. Penso que os dirigentes europeus atuais são uma catástrofe para a ordem econômica mundial. Eles são fascinados pela ideologia neoliberal, pela competição, e não pela cooperação, pela solidariedade entre os países etc. Eles têm valores que certamente não são os meus, e que são extremamente perigosos.
Se um candidato neoliberal ganha no Brasil, certamente ficarei triste pelos brasileiros, mas também triste pela ordem internacional. Eu sei que a candidata progressista tem limites e problemas, mas penso que será melhor para o Brasil, pois ela já deu prova de independência frente aos Estados Unidos e frente a atores financeiros.
Precisamos de líderes que saibam resistir às grandes potências, ao setor financeiro, e não que sejam seus aliados. Portanto, vejo as eleições no Brasil com muito interesse e não escondo minha preferência por Dilma.
Crédito da foto da página inicial: Agência Brasil
- See more at: http://brasildebate.com.br/neoliberalismo-e-o-oposto-da-democracia/#sthash.rwL7vyQ6.dpuf
“Neoliberalismo é o oposto da democracia”, diz estudioso francês
Dominique Plihon, professor da Universidade Paris 13, em entrevista exclusiva ao Brasil Debate: “Se um candidato neoliberal ganha no Brasil, certamente ficarei triste pelos brasileiros, mas também triste pela ordem internacional. Precisamos de líderes que saibam resistir às grandes potências, ao setor financeiro, e não que sejam seus aliados”
dominique
O francês Dominique Plihon é um dos principais estudiosos, no mundo, do que se denomina “capitalismo com dominância financeira” e de seus efeitos sobre a sociedade.
Professor emérito da Universidade Paris 13 (Université Sorbonne Paris Cité), ele tem longa experiência profissional no Banque de France e é atualmente porta-voz do ATTAC – associação que defende a taxação das transações financeiras internacionais.
Na semana passada, esteve no Brasil para uma curta temporada de palestras e aulas no Instituto de Economia da Unicamp, e conversou com o Brasil Debate.
As reflexões de Plihon sobre as ideias econômicas, seus porta-vozes e interesses, e mesmo o seu poder de pressão por meio do controle dos veículos de comunicação são um necessário contraponto à visão quase única que domina a discussão econômica no Brasil.
Indo além, põe o dedo na ferida de uma questão muito explícita em alguns personagens do debate eleitoral brasileiro: o conflito de interesses entre representantes do setor financeiro privado e suas prioridades para as políticas públicas.
Por fim, considera um enorme retrocesso, não só para o Brasil, a eleição de um candidato de perfil neoliberal neste segundo turno das eleições.
Confira os principais trechos da entrevista realizada e traduzida do francês por Bruno De Conti e Pedro Rossi.
Brasil Debate: Como você enxerga a relação do neoliberalismo com a democracia?
Dominique Plihon: Aqui há um paradoxo. Os neoliberais nos fazem acreditar que a liberdade concedida a todos os atores econômicos faz prosperar a democracia e que o mercado é favorável à democracia. Como se democracia e livre mercado caminhassem juntos.
Essa visão é completamente equivocada. Se deixamos o neoliberalismo funcionar, isso se traduz no surgimento de atores sociais – grupos industriais, bancários – que dominam não somente a economia, mas também a sociedade. Esses atores investem na mídia para difundir análises que condicionam a opinião dos cidadãos e isso funciona como uma forma de dominação ideológica. Aqueles que divergem do pensamento dominante são considerados heréticos, arcaicos, gente que não é séria.
Portanto, o paradoxo é que, ao reduzir o Estado sob o pretexto de dar mais liberdade às pessoas, dá-se poder a alguns atores sociais, concentra-se a renda e cria-se um pensamento único. Eu vou ao limite de dizer que aqueles que defendem o neoliberalismo são por uma sociedade totalitária. Neoliberalismo é o oposto da democracia.
BD: O discurso neoliberal é compatível com a construção de um Estado de Bem-Estar Social, que garanta serviços sociais públicos e universais?
DP: Para o neoliberalismo, o Estado Social é visto como um inimigo, como um concorrente, o que é de certa forma verdade porque, a partir do momento em que o Estado Social se desenvolve, é uma parte do setor econômico que escapa do setor privado, dos investidores internacionais etc.  Eles querem controlar as escolas, controlar os hospitais, controlar as estradas, para obter lucros. É por isso que eles defendem a privatização, sob o pretexto de que o setor privado seria mais eficiente, mas a finalidade é o lucro.
O que devemos defender, enquanto economistas progressistas, é que o setor público é claramente mais eficaz do que o setor privado no que se refere à oferta de bens sociais, ao contrário do que dizem os neoliberais. Essa é uma briga ideológica importante. Eles dizem que se o Estado Social diminuir, todos vão ganhar, vão pagar menos imposto, a economia ficará melhor, os hospitais, as escolas e universidades serão melhores, o que é completamente falso.
Se pegarmos a saúde, por exemplo, o sistema mais eficaz, menos custoso e que traz mais bem-estar para população é o público e não o privado. O sistema de saúde americano, que é praticamente todo privado, é muito mais custoso do que o francês, que é principalmente público. Mas esse discurso não é ouvido pela mídia controlada pelos grandes grupos privados.
BD: Nessas eleições brasileiras, formou-se uma convenção na bolsa de valores segundo a qual o bom desempenho da presidenta Dilma nas pesquisas conduz a uma queda nos preços das ações. Como você vê o significado político dessa convenção?
DP: Keynes é quem primeiro explorou essa noção de convenção no mercado financeiro. A convenção é uma representação da realidade que corresponde muitas vezes aos desejos do mercado. Quando vemos nas eleições que a bolsa sobe quando o candidato Aécio Neves aparece com mais chances, isso significa a expectativa do mercado de que esse candidato tomará medidas mais favoráveis a ele.
O que é perigoso, pois significa que um candidato que queira fazer uma política de enfrentamento aos interesses e privilégios do mercado terá a bolsa contra ele. E isso toma uma proporção maior porque a mídia e as elites passam a mensagem de que a opinião “correta” é aquela do mercado e não aquela das pessoas que trabalham, que produzem, que consomem. Isso é, evidentemente, contrário à democracia.
E o que é interessante é que Keynes mostrou a existência de componentes irracionais na formação dessas convenções. As pessoas se comportam de maneira mimética; de uma hora para a outra passam a agir todas da mesma forma, com base em uma determinada ideia. Essas convenções são frágeis, às vezes irracionais e desprovidas de uma reflexão séria e, mais do que isso, podem ser manipuladas, o que quer dizer que alguns agentes podem forjar opiniões e condicionar a psicologia dos mercados para fazer valer seus interesses.
BD: Nos debates públicos, você tem chamado atenção para o conflito de interesses que envolve a profissão dos economistas. Qual é a importância desse tema?
DP: Na sociedade, há dois tipos de economistas. A primeira categoria é composta por economistas independentes ou com vínculos explícitos com alguma instituição, como um sindicato, ou um banco. Quando ouvimos um economista de um sindicato, sabemos que ele está defendendo os interesses do sindicato, isso é normal e transparente.
A segunda categoria são os economistas que são pagos pelo sistema – recebem recursos de empresas, bancos, partidos – mas não se identificam. Eles geralmente defendem os interesses das classes dominantes e por isso são figuras muito presentes na mídia, dominada por essas classes. Eles são os cães de guarda do sistema.
O que estamos propondo na Europa é algo parecido com que está sendo discutido nos EUA por Gerard Epstein: que haja regras precisas obrigando os economistas a publicarem o nome da entidade de quem recebem financiamentos, assim, quando eles falam na mídia, saberemos se estão defendendo o interesse de alguma empresa, banco, sindicato. Cada um fala o que quer, desde que seja transparente e não seja hipócrita.
BD: E no caso de economistas de mercado que ocupam funções públicas?
DP: Se há um candidato, como Aécio Neves, que anuncia um ministro que é um banqueiro, há um risco de conflito de interesse. Nesse caso, talvez seja o caso de declarar publicamente e, eventualmente, desnudar esta pessoa e os interesses que representa, já que tem muitos laços com o setor financeiro.
Na França, temos esse problema com os altos funcionários, por exemplo, da supervisão bancária, que após seu período no governo vão trabalhar nos bancos. O problema é que essas pessoas não ousam tomar medidas duras, sanções, contra os seus futuros (ou ex) colegas. Nesse caso, deve-se proibir a pessoa de trabalhar no setor que ela supervisionou durante três ou quatro anos, porque há conflitos de interesse.
Esse é o chamado fenômeno das “portas giratórias”, quando um economista vai para a administração publica, depois volta para o setor privado como um homem de negócio, e de novo para administração pública. Isso é muito perverso e antidemocrático.
BD: Como intelectual de esquerda e observador externo como você enxerga a disputa eleitoral em curso no Brasil?
DP: Primeiramente, vejo com bastante interesse porque o Brasil é um país muito importante, e a política que é definida aqui tem impacto sobre a América Latina e também sobre a construção da ordem mundial. Penso que os dirigentes europeus atuais são uma catástrofe para a ordem econômica mundial. Eles são fascinados pela ideologia neoliberal, pela competição, e não pela cooperação, pela solidariedade entre os países etc. Eles têm valores que certamente não são os meus, e que são extremamente perigosos.
Se um candidato neoliberal ganha no Brasil, certamente ficarei triste pelos brasileiros, mas também triste pela ordem internacional. Eu sei que a candidata progressista tem limites e problemas, mas penso que será melhor para o Brasil, pois ela já deu prova de independência frente aos Estados Unidos e frente a atores financeiros.
Precisamos de líderes que saibam resistir às grandes potências, ao setor financeiro, e não que sejam seus aliados. Portanto, vejo as eleições no Brasil com muito interesse e não escondo minha preferência por Dilma.
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