quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Grafite no viaduto: cores, tintas e arte pelos direitos das crianças

A arena: 3.500 m² de concreto pintado de branco. As armas: centenas de latas de tinta e spray. Os heróis: seis grandes grafiteiros da América Latina e 20 jovens cheios de disposição e talento para ajudá-los a pintar. O tempo: dez dias. O desafio: ilustrar a união dos povos da tríplice fronteira em prol dos direitos das crianças. O prêmio: a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na manhã do dia 2 de setembro para inaugurar a obra. Vai encarar?



Cores e criaturas para embelezar a cidade e fortalecer a luta pelos direitos das crianças.

A Itaipu encarou. Em parceria com a Sanepar, Prefeitura de Foz do Iguaçu, Sesc, Concessionária Eco-Cataratas e Cia. de Teatro Amadeus, que idealizou o projeto, Itaipu está revitalizando o viaduto entre as avenidas Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves e criando o Marco de Proteção de Crianças e Adolescentes da Tríplice Fronteira.


O grafiteiro Oz diante de sua obra: "Esse trabalho também é uma forma de aproximar ainda mais os povos do Brasil, Paraguai e Argentina".

“Cada espaço lateral do viaduto terá um tema: o direito de brincar, o direito à educação e à leitura, direito à identidade e o direito à água”, explicou o grafiteiro paraguaio Oscar Montania, o “Oz”, que já trabalhou em projetos de grafite da Organização das Nações Unidas em diversos países e está coordenando a pintura. No interior do viaduto, apenas preto, branco e cinza: “Vamos simbolizar um mergulho no Rio Paraná”, contou.

Nasce um grafite


Antes de começar, os desenhos: os croquis são o mapa da pintura.

Os primeiros traços, azuis e laranjados, surgiram na manhã de terça-feira (24) – todos de acordo com os croquis preparados anteriormente. “Fazemos os esboços para garantir que os desenhos se integrem. A característica do grafite é ser uma composição coletiva, um trabalho solidário”, diz Oz.


Mais para a esquerda... mais para baixo... Valentim e Orlando "conduzem" os grafiteiros pelas paredes. "É um trabalho bem diferente", contam.

Na linha de frente também estão Valentim Gonçalves Moreira e Orlando Paiter Filho, da Divisão de Serviços (ODMS.CD). Sob o olhar atento do gerente Paulo Sérgio Mello de Faria e Silva, os dois controlam as cestas dos caminhões hidrabasket que conduzem os grafiteiros às alturas da parede do viaduto. “É um trabalho bem diferente do que estamos acostumados a fazer, mas estamos gostando. Queremos ajudá-los a terminar o quanto antes a obra”, contou Valentim.


Depois dos traços, as tintas: as imagens começam a surgir.

Aos poucos, o sorriso do menino, as peças do quebra-cabeças, as pipas e os palhaços vão ganhando forma graças aos movimentos precisos de Oz, Lucas We, Renato Pontello, Sica, Lalam e David Linares. É a arte de protesto ganhando espaço em benefício das crianças e integrando grafiteiros do Brasil, Paraguai e Argentina. “O desafio é enorme, mas estamos orgulhosos”, disse Oz.


O trabalho é minucioso: após as tintas, eles usam spray para fazer as texturas e o sombreado nos desenhos. Sempre com segurança, é claro.

Das paredes nuas, surge um grande sorriso de criança para cumprimentar quem passa pelo viaduto.

Fonte: JIE

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